Síndrome Mielodisplásica / Mieloide Aguda
Saiba mais sobre síndrome mielodisplásica
O que é?
As síndromes mielodisplásicas são um grupo de doenças da medula óssea caracterizadas por uma produção insuficiente de células sanguíneas sadias. O termo síndrome mielodisplásica (SMD) engloba as doenças neoplásicas mieloides. As síndromes mielodisplásicas podem progredir para leucemia aguda.
As síndromes mielodisplásicas constituem um grupo de distúrbios sanguíneos caracterizados por:
• Diminuição de todos os tipos de células sanguíneas no sangue periférico.
• Medula óssea com contagem normal ou aumentada de células, que apresentam anormalidades na forma e no tamanho. Pode ocorrer acúmulo de células da medula muito imaturas, chamadas blastos leucêmicos. A severidade da alteração das células da medula define a classificação da doença.
A síndrome mielodisplásica engloba um grande número de doenças mieloides neoplásicas, porém a maioria dos casos pode ser classificada em subgrupos, com base na contagem das células sanguíneas e no aspecto que apresentam à observação.(1)
Causas e Fatores de Risco
Na maioria dos casos não existe uma causa específica.
O uso de medicamentos que podem potencialmente danificar o DNA e que são usados para tratar linfoma, mieloma e outros tipos de câncer (mama ou ovário), aumenta o risco de desenvolver uma doença mielodisplásica. O tratamento de linfoma com radioterapia também é um fator de risco.
Exposição a benzeno por longos períodos de tempo, geralmente em um ambiente industrial, pode aumentar a incidência de leucemia mieloide aguda e preceder a manifestação de mielodisplasia.
A doença acomete geralmente pessoas a partir dos 60 anos, entretanto a doença pode surgir desde a terceira década da vida até idades superiores a 80 anos. Raramente acomete crianças. (2)
Síndromes Mielodisplásicas: Diagnóstico
Um grande número de pacientes não tem qualquer sintoma no início da doença. Na forma crônica ou não progressiva da doença, o diagnóstico pode ser realizado a partir da descoberta de anemia durante uma avaliação médica de rotina. Em caso de se tratar de anemia moderada ou grave, podem ocorrer sintomas como fadiga, falta de ar durante esforço (subir escadas ou correr), palidez, fraqueza e cansaço. Nessa forma da doença, anormalidades nos leucócitos e nas plaquetas, que podem estar presentes, geralmente são insuficientes para fornecer sinais ou sintomas.
Na forma mais avançada e progressiva da doença, que é a leucemia mieloide, geralmente aparecem sintomas como mal-estar geral, fadiga, fraqueza, palpitações e perda de apetite e de peso.
Sangramentos subcutâneos podem provocar manchas roxas; é o que se denomina púrpura. Também podem acontecer outros tipos de sangramento: pelo nariz, na gengiva ao escovar os dentes etc. Algumas vezes, esses sangramentos são difíceis de estancar devido à baixa contagem de plaquetas, que fazem parte do sistema de coagulação.
A contagem de glóbulos brancos também pode estar diminuída. Como os glóbulos brancos participam do sistema de defesa do organismo, essa redução predispõe ao aparecimento de infecções urinárias, na pele ou em outras regiões do corpo. (3) (4)
Síndrome Mielodisplásica: Tratamento
Na forma crônica e estável da doença, os pacientes muitas vezes realizam somente acompanhamento e geralmente não recebem tratamento específico. Esses pacientes podem tolerar uma diminuição leve ou moderada na contagem das células sanguíneas sem que isso interfira em suas atividades de rotina. Entretanto isso pode ocasionar um grande temor, sobretudo quando o paciente fica sob observação. É por isso que a relação médico-paciente deve estar baseada em confiança mútua.
Para pacientes cuja contagem de células sanguíneas está muito alterada, são utilizados medicamentos, associados ou não a transfusões periódicas de sangue e plaquetas, que estimulam a produção de células sanguíneas. Isso aumenta as contagens de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Em caso de aparecimento de outros sintomas, como febre, deve-se determinar a origem para tentar iniciar, o mais precocemente possível, o tratamento contra infecções virais, bacterianas ou fúngicas. Para isso, são utilizados antibióticos específicos para cada tipo de infecção. Em caso de infecção viral, podem ser empregados medicamentos antivirais que tenham ação sobre a infecção.
Em casos mais progressivos, a doença pode exigir tratamento quimioterápico. A quimioterapia é cuidadosamente aplicada, analisando a condição clínica do paciente, a idade, a gravidade das manifestações da doença e seu ritmo de progressão. Os medicamentos quimioterápicos podem ser administrados de forma isolada ou em combinação.(5)
Por ser um tratamento sistêmico, a quimioterapia afeta também as células sadias, provocando efeitos colaterais. A intensidade desses efeitos colaterais depende da condição do paciente, do tipo de medicamento quimioterápico utilizado e da resposta do próprio paciente ao tratamento.(6)
Transplante de Medula
É muito importante determinar o estágio da doença, a presença ou não de blastos e a melhor fonte de transplante (medula óssea ou sangue periférico). Sobretudo, as condições do paciente e os benefícios do tratamento devem ser avaliados de forma individualizada.(3)
Conversando com seu Médico
Viver com uma doença como a síndrome mielodisplásica pode ser um grande desafio. Muitas vezes, os pacientes precisam adaptar-se a essa nova fase ou mesmo mudar seu estilo de vida.
A síndrome mielodisplásica também pode afetar os membros da família e os amigos. Procure conversar com seu médico e com a equipe que trata de seu caso e esclareça todas as suas dúvidas. Isso pode ajudar a diminuir a preocupação com a doença, o dia a dia e o futuro.
Cuidar do aspecto emocional também é muito importante, afinal são esperados altos e baixos. Para isso você pode contar com o suporte de um psicólogo ou psico-oncologista, que é o especialista nesse tipo de pacientes.(1)
Estas são algumas perguntas que você pode fazer para o seu médico:
• O que é a síndrome mielodisplásica?
• Qual é o meu caso?
• Como será o tratamento?
• Terei de tratar com quimioterapia?
• Terei efeitos colaterais do tratamento?
• Será necessário realizar transfusões?
• Em caso de necessidade, com quem devo entrar em contato?
Lembre-se de que a informação é um direito seu.
Referências Bibliográficas
1. Oncoguia – www.oncoguia.com.br
2. Greenberg, P. Cox, C. Le Beau M.M., Fenaux P., Morel, P., Sanz G. e cols. International scoring system for evaluating prognosis in myelodysplastic syndrome. Blood 89(6): 2079-2088, 1997.
3. Jaffe, E.S. Harris, N.L., Vardiman, J.. World Health Organization classification of neoplastic diseases of the hematopoietic and lymphoid tissues. 2001.
4. Bennet, J.M., Catovsky, D., Daniel, M.T., Flandrin, G., Galton, D.A.G., Gralnick, H.R., Sultan, C. (FAB cooperative group) - Proposal for classification of the myelodysplastic syndrome. Br J Haematol, 51: 189-199, 1982
5. Macmillan Cancer Support –www.cancerbackup.org.uk
6. National Cancer Institute – www.cancer.gov
Aviso
Publicado em 04/03/2010.
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A PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVE SER CONSULTADO.
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