Sarcoma
Saiba quais são os tipos de sarcoma
O que é Sarcoma?
O sarcoma ou sarcoma de partes moles é um tipo de câncer que pode afetar osso, cartilagem, gordura, músculo, vasos sanguíneos e tecido conjuntivo ou de suporte. O termo tem origem grega e significa "crescimento carnoso”. (1)
Sinais e Sintomas
Existem alguns sintomas comuns aos sarcomas de partes moles:
• A presença de massa ou protuberância em uma região específica do corpo.
• A região do aparecimento do sarcoma fica debilitada.
• Dor. (2)
É importante mencionar que a presença desses sintomas não significa que a pessoa tem sarcoma, mas sim que deve consultar seu médico.
Tipos de Sarcoma
Os sarcomas de partes moles abrangem uma série de tipos de tumor. Alguns crescem de forma lenta e outros apresentam crescimento mais rápido e agressivo. (3) (4)
• Fibrosarcoma é um tumor maligno que se localiza em tecidos moles, ossos e músculos.
• Histiocitoma fibroso maligno é um tumor pouco frequente que aparece principalmente na vida adulta, entre os 50 e 70 anos. Em alguns casos, esse tipo de tumor pode estar relacionado ao uso de radioterapia.
• Dermatofibrosarcoma é um tumor raro que, em muitos aspectos, é classificado como um tumor benigno originado na pele. Entre 2 e 5% dos casos, entretanto, a doença pode atingir outras regiões do corpo.
• Liposarcoma é um tipo de tumor que se apresenta nos tecidos profundos dos membros e no abdome. É o sarcoma de partes moles mais frequentemente encontrado, correspondendo a 20% do total de casos.
• Rabdomiosarcoma é o tipo de sarcoma mais frequente em crianças e adolescentes. Desenvolve-se na musculatura esquelética ou em tecidos fibrosos e pode afetar qualquer região do corpo.
• Leiomiosarcoma é um tumor que se caracteriza pela presença de grandes células fusiformes de músculo liso. Acomete mais comumente útero, abdome e membros superiores e inferiores.
• Hemangiosarcoma é um tumor no qual os vasos sanguíneos crescem diretamente no tumor que, por isso, está cheio de sangue.
• Sarcoma de Kaposi é um tipo de câncer que atinge as paredes dos vasos linfáticos e pode acometer pele, nódulos linfáticos, pulmões e sistema digestivo. A doença está associada a fatores genéticos, ação de vírus e fatores imunológicos. É o tipo de câncer mais relacionado à AIDS. No entanto, o fato de ser portador do vírus HIV não significa que o paciente desenvolverá sarcoma de Kaposi, da mesma forma que ter sarcoma de Kaposi não significa ser portador de HIV.
• Linfangiosarcoma é um tumor maligno que se origina nas células dos vasos linfáticos. A maioria dos linfangiosarcomas desenvolve-se em regiões de linfedema crônico e após mastectomia radical seguida de radioterapia, no membro superior do lado da cirurgia.
• Sarcoma sinovial é um tumor incomum, de crescimento lento, que possui estreita relação com as estruturas das articulações (tendões, ligamentos e membranas interósseas). Compreende de 5% a 10% dos sarcomas de tecidos moles. Os sarcomas sinoviais têm maior incidência em jovens, com idade entre 15 e 35 anos, e comumente localizam-se nas proximidades das articulações, sobretudo nos membros inferiores.
• Neurofibrosarcoma é um tumor maligno que se desenvolve nas células ao redor dos nervos periféricos. Os nervos periféricos recebem mensagens do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e têm como função estimular o movimento voluntário. O neurofibrosarcoma também é conhecido como tumor da bainha nervosa, Schwannoma maligno ou sarcoma neurogênico.
• Osteosarcoma é o câncer primário de osso mais comum. Ocorre frequentemente em adolescentes nos locais de maior crescimento do osso. Qualquer osso pode ser afetado, entretanto os locais mais comumente comprometidos são os braços e as pernas, particularmente nas áreas próximas à articulação do joelho.
• Condrosarcoma é uma lesão cartilaginosa maligna, que ocorre primariamente no adulto, é rara em jovens e quase nunca é encontrada em crianças. Há quatro diferentes tipos de condrossarcoma: primário, secundário, mesenquimal e indiferenciado. Ocorre com mais frequência nos ossos da pelve ou próximo das extremidades de ossos longos.
• Sarcoma de Ewing é o segundo tumor maligno mais frequente em crianças. É um tumor que pode se desenvolver em qualquer parte do corpo, no entanto é mais frequente iniciar-se no osso. Qualquer osso pode ser afetado, porém os ossos da pelve, fêmur e tíbia são mais comumente envolvidos.
Diagnóstico
Para o diagnóstico de sarcoma, é importante que o paciente fique atento aos sinais e sintomas que eventualmente possam aparecer ou se manifestar.
O diagnóstico inicia-se com a suspeita da doença e a realização de um exame físico completo por um médico. (5)
Entre alguns dos exames que podem ser solicitados estão:
• Radiografia (raios X ): permite avaliar o estado dos órgãos e ossos.
• Tomografia computadorizada: usa raios X para obter imagens do corpo em cortes transversais e longitudinais. È utilizado para determinar a natureza e a extensão da lesão e para observar a possibilidade de existência de outras lesões. Pode ser utilizada como guia em caso de procedimentos diagnósticos – biópsia, por exemplo – ou de planejamento cirúrgico.
• Ressonância magnética: mostra os tecidos e órgãos do corpo por meio de potentes ondas magnéticas. Assim como a tomografia, é um exame que serve para determinar o tamanho e a extensão da lesão. É utilizada também para estudar mais detalhadamente o sistema nervoso, os tecidos moles e os vasos sanguíneos.
• PET scan: exame de imagem que usa um meio de contraste (FDG – fluorodeoxyglucosa) e permite medir o metabolismo de uma lesão tumoral.
• Biópsia: é método de diagnóstico mais importante no câncer, pois serve para determinar a existência ou não da doença. (6) O procedimento consiste na remoção de tecido contendo células do tumor por meio de uma agulha ou uma pequena cirurgia. Esse exame é feito para determinar se o tumor é maligno ou não e, em caso positivo, qual o tipo de câncer. A biópsia não somente coleta amostras de tecido tumoral como também pode coletar amostras de gânglios linfáticos ou outras áreas nas quais se suspeita da existência da doença. Uma vez coletada, a amostra é analisada por um patologista, que verifica a presença ou não de células malignas.
Quem determina a necessidade de realizar alguns ou todos os exames para o diagnóstico é o médico que acompanha o caso, por isso resolva todas as dúvidas com ele. Informe-se.
Estadiamento
Determinar a extensão da doença é muito importante. Esse processo é conhecido como estadiamento.
O estadiamento é necessário e imprescindível para determinar a melhor abordagem e conduta terapêutica para cada paciente. O estadiamento deve ser realizado preferentemente por meio de tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética, sempre com intuito de escolher o melhor esquema de tratamento para o paciente. (7)
Tratamento
É muito importante que o paciente converse sempre com o médico e esclareça sempre todas as dúvidas.
O tratamento do sarcoma de partes moles depende da resposta individual à doença e ao tratamento. De forma geral, o tratamento inicia-se com a cirurgia, já que uma grande parte dos sarcomas é resistente à quimioterapia e à radioterapia. (8)
Cirurgia
A cirurgia é a forma de tratamento mais comum do sarcoma de partes moles em adultos. Para alguns tipos de sarcoma, extirpar o tumor pode ser a única forma de tratamento necessária.(7)(9)
O paciente pode ser submetido a tratamento quimioterápico ou radioterápico antes do procedimento cirúrgico. O objetivo é diminuir o tamanho do tumor e a área de ressecção de tecido. Uma vez realizada a cirurgia, pode ser administrada quimioterapia ou radioterapia como tratamento adjuvante, com o intuito de eliminar células cancerígenas que ainda ficaram no local. (10)
Radioterapia
A radioterapia é um tratamento contra câncer que utiliza raios de alta energia para eliminar as células cancerosas.
A associação de radioterapia com cirurgia é de grande utilidade no controle local dos sarcomas de parte moles, mantendo a função de membros e a atividade normal dos pacientes.
Quimioterapia
A quimioterapia é um tratamento que utilizada medicamentos potentes para deter o crescimento das células cancerosas ou eliminá-las por completo, evitando assim sua multiplicação. Por se tratar de uma terapia sistêmica (os medicamentos quimioterápicos alcançam todas as células do organismo), a quimioterapia causa efeitos colaterais que podem ser leves ou intensos, dependendo do medicamento utilizado, da dose administrada e da resposta do paciente ao tratamento.
Efeitos colaterais: Orientações Gerais
Durante o tratamento de câncer, podem aparecer alguns efeitos colaterais que dependem do tipo de tratamento que está sendo realizado, da pessoa que recebe o tratamento e da dose de medicamento (em caso de quimioterapia) ou de radiação (em caso de radioterapia).
Algumas orientações podem ajudar durante o tratamento. (1)
Durante a quimioterapia:
• Faça pequenas refeições ao longo do dia.
• Evite comidas gordurosas ou frituras.
• Beba líquidos como sucos de fruta ao longo do dia.
• Evite bebidas gasosas.
• Evite cheiros fortes, como fumaça, perfumes, frituras, temperos etc.
• Entre em contato com seu médico em caso de ocorrência de vômitos mesmo após o uso de medicação antiemética.
Durante a radioterapia:
• Lave a pele sempre com sabão neutro e água morna.
• Não use pomadas ou cremes sobre a pele, a não ser os prescritos pelo médico.
• Não use roupas apertadas.
• Não esfregue nem coce a pele da região irradiada.
• Proteja a pele dos raios solares.
A preocupação com a qualidade de vida do paciente favoreceu o desenvolvimento de medicamentos capazes de minimizar os sintomas do câncer e reduzir os possíveis efeitos colaterais durante o tratamento. No entanto, esses efeitos ainda podem acontecer e estar preparado para isso é muito importante.
Conversando com seu médico
Criar e manter uma relação de confiança com seu médico é muito importante. Tente esclarecer todas as suas dúvidas e não deixe de perguntar se algo ainda não estiver claro. Estas são algumas perguntas que podem ajudar. (1)
• O que é sarcoma?
• Qual é o meu tipo de sarcoma?
• Qual o melhor tratamento para o meu caso?
• Poderei voltar a fazer minhas atividades diárias? Devo parar de trabalhar?
• Em caso de cirurgia, qual será o tempo de recuperação?
• Existem efeitos colaterais dos diferentes tratamentos?
• Em caso de apresentar efeitos colaterais, quem devo procurar?
Referências Bibliográficas
1. Oncoguia – www.oncoguia.com.br
2. Bireme – Biblioteca Virtual em Saúde – www.bireme.br
3. Macmillan Cancer Support – www.cancerbackup.org.uk
4. National Comprehensive Cancer Network – Clinical practice in oncology. Ann Diagn Pathol. 2000; 4:252-266.
5. Huvos AG. Bone Tumors: Diagnosis, Treatment and Prognosis. 2ª edição. Philadelphia: Saunders, 1991:504.
6. Brennan M, Singer S, Maki R, et al. Sarcomas of the soft tissues and bone. Em: DeVita VT Jr, Hellman S, Rosenberg SA, eds.Cancer: Principles and Practice of Oncology. 7ª edição. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2005:1581-1631.
7. National Cancer Institute – www.cancer.gov
8. American Society of Clinical Oncology – www.asco.org
9. Valle AA, Kraybill WG: Management of soft tissue sarcomas of the extremity in adults. J Surg Oncol. 1996; 63(4):271-279.
10. Sarcoma Meta-analysis Collaboration. Adjuvant chemotherapy for localised resectable soft-tissue sarcoma of adults: Meta-analysis of individual data. Lancet. 1997; 350(9092):1647-1654.
Aviso
Publicado em 04/03/2010.
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