Câncer de Mama

Tratamento e orientações multidisciplinares

Enfrentando o tratamento do câncer de mama: dicas e orientações multidisciplinares para o seu dia-a-dia

O período após o diagnóstico de um câncer exige da paciente e de seus familiares uma série de adaptações e mudanças em suas rotinas. É importante que a paciente saiba que, além de todo o cuidado dispensado pelo médico oncologista, ela também pode contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar de profissionais especializados nas mais diversas áreas da saúde.

 

Nutrição

 

A nutrição é um aspecto muito importante a ser levado em consideração durante o tratamento câncer de mama. Uma alimentação saudável é fundamental, pois ajudará a paciente a sentir-se melhor, a manter um peso adequado e a passar por todas as fases do tratamento. O nutricionista, profissional responsável por essa área, poderá lhe auxiliar durante e/ou após o tratamento, promovendo uma melhor qualidade de vida por meio de uma alimentação equilibrada.

 

Os alimentos desempenham diversas funções no organismo e se agrupam de acordo com as funções que exercem. Não existe nenhum alimento que seja completo e que tenha tudo que nosso organismo precisa para funcionar bem. Portanto, é necessário introduzir alimentos de funções diferentes nas refeições para que a dieta seja equilibrada. Alimentar-se bem não significa comer muito, e sim consumir alimentos que ofereçam os diversos nutrientes de que o organismo precisa para seu funcionamento. Veja algumas orientações:

 
  • Faça as refeições em ambiente e companhia agradáveis; evite falar de problemas nesse momento.
  • Procure mastigar bem os alimentos.
  • Não tenha medo de experimentar novos alimentos ou alimentos que não costumava comer, pois o paladar pode se modificar durante o tratamento.
  • Tente produzir pratos que sejam visualmente atraentes, com muitas cores, alimentos frescos e dispostos de forma agradável ao olhar. Se usadas sem exagero, as ervas aromáticas disfarçam muito bem os sabores que, dependendo da medicação, podem causar enjôos e acabar com o apetite.
  • Sempre que possível, passe a tarefa de preparar a refeição para outra pessoa. Fazer a própria comida quando se está cansada ou nauseada pode impedir a pessoa de comer o alimento depois de pronto. Fale com seus familiares e amigos para ajudarem nas compras e na preparação das refeições.
  • Sirva sua comida em temperatura ambiente.
  • Evite (somente por um período) alimentos que, para você, apresentam um gosto desagradável.
  • Os suplementos nutricionais são importantes opções para a alimentação da paciente. Eles apresentam diferentes sabores, são em pó ou líquidos e podem ser consumidos diretamente da embalagem com canudinho. Peça orientação da equipe de profissionais que a acompanha.
  • Não se esqueça da água e dos líquidos em geral, pois eles ajudam na eliminação da parte tóxica do medicamento. Consuma de 1,5 a 3 litros por dia.
 

Psicologia

 

Diante de um diagnóstico de câncer de mama, é muito comum a paciente relatar sinais e sintomas de depressão, além de sentimentos até então desconhecidos, como medo, raiva, ansiedade, tristeza, desespero e solidão. São inúmeras informações novas, mudanças na rotina e uma série de situações que podem, muitas vezes, ser enfrentadas de uma maneira menos dolorida quando se tem apoio psicológico adequado.

 

Na área de psicologia, existe o profissional certificado em psico-oncologia. Com objetivo de apoiar emocionalmente o paciente e sua família, o psico-oncologista tem como foco principal o suporte durante o enfrentamento da doença, intervindo de maneira individualizada em cada caso. O paciente fortalecido emocionalmente lida mais facilmente com a doença e com o tratamento, apresentando até mesmo uma melhor resposta física.

 

Fisioterapia

 

A fisioterapia também tem um papel muito importante durante o tratamento, já que tem como principal objetivo promover a recuperação físico-funcional da paciente, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida. Por meio de uma terapia personalizada e individualizada, o fisioterapeuta desenvolve um trabalho importante na prevenção e no tratamento do linfedema que pode eventualmente aparecer após a retirada de gânglios linfáticos axilares, trazendo desconforto e dor.

 

Veja agora algumas dicas para lidar melhor com seu corpo durante o tratamento:

 
  • Respeite seus novos limites.
  • Se sentir-se disposta, pratique exercícios físicos leves, como caminhadas.
  • Alongamento, ioga e hidroginástica também são ótimas opções.
  • Quando se sentir cansada, economize energia!
  • Peça auxilio de um profissional especializado.
 

Enfermagem

 

A enfermagem oncológica desempenha um importante papel na equipe multiprofissional de saúde. Por meio de informações adequadas e de fácil compreensão, o enfermeiro lhe orientará sobre efeitos colaterais, sinais e sintomas e outras possíveis dúvidas sobre seu tratamento e seu dia-a-dia. A enfermagem oncológica tem como objetivo promover a qualidade de vida do paciente e de seus familiares, auxiliando e até mesmo intervindo, quando necessário, nos problemas relacionados à saúde física e mental.


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Tratando o câncer de mama

O tratamento do câncer de mama varia de acordo com o tipo de tumor e também do estágio de desenvolvimento da doença. Por isso, para cada tipo de câncer há um tratamento específico e apropriado. Os principais tratamentos são: (6)

 

Cirurgia

 

A cirurgia é o tratamento mais freqüente para o câncer de mama, pois objetiva a retirada do tumor. Existem dois tipos. Na cirurgia conservadora (quadrantectomia), retira-se apenas uma parte da mama. Já  na cirurgia radical (mastectomia), a mama é retirada por completo e, eventualmente, é extraído também o músculo peitoral. As duas modalidades cirúrgicas podem ser acompanhadas ou não pela retirada de gânglios linfáticos das axilas (linfonodos).

 

É o médico mastologista quem decide qual o tipo de cirurgia mais indicado para o tratamento do tumor e os riscos e benefícios de cada tipo. A decisão é um passo importante e deve incluir a participação da paciente.

 

Quimioterapia

 

A quimioterapia emprega medicamentos extremamente potentes para combater o tumor. As drogas utilizadas recebem o nome de agentes quimioterápicos, podendo ser administradas por via intravenosa (injeção na veia) ou via oral.  O tempo de administração da quimioterapia é variável, sempre seguido de um período de descanso e recuperação de uma a quatro semanas. O número de ciclos ou sessões dependerá do tipo de câncer e de como ele responde aos medicamentos administrados.

 

Por ter ação sistêmica, ou seja, alcançar as células cancerígenas em qualquer região do corpo, infelizmente esses medicamentos não atacam apenas as células cancerosas. Os agentes quimioterápicos podem atingir também as células sadias do corpo, responsáveis pela defesa do nosso organismo, e isso pode provocar alguns efeitos colaterais.

 

Dependendo do tipo de câncer e de sua extensão no organismo, o tratamento quimioterápico tem por objetivo a cura, eliminando completamente a doença, ou o controle, quando a doença não pode ser removida por completo. No segundo caso, a quimioterapia é administrada para tentar diminuir a quantidade de células neoplásicas no organismo e  impedir que as células tumorais atinjam outros órgãos. O tratamento quimioterápico é capaz de prolongar a vida do paciente, reduzindo os sintomas da doença.(1)(3)(6)

 

Radioterapia

 

A radioterapia é um tratamento baseado na aplicação direcionada de radiação ao tumor para bloquear o crescimento das células anormais. A quantidade de radiação depende do tipo e do tamanho do tumor. Pode ser empregada visando a cura – quando o tumor é eliminado – ou a diminuição dos sintomas da doença. A radioterapia pode ser utilizada de maneira isolada ou combinada com quimioterapia e/ou cirurgia – antes do procedimento cirúrgico para reduzir o tamanho do tumor ou depois da cirurgia para evitar a recidiva (volta) da doença. Os cuidados necessários durante o tratamento variam de acordo com a área irradiada. As equipes médica e de enfermagem devem orientar a paciente sobre os cuidados específicos que devem ser adotados nesse período.

 

Hormonioterapia

 

A hormonioterapia tem como finalidade impedir que as células malignas continuem a receber o hormônio que estimula seu crescimento. Esse tratamento é utilizado sempre que o tumor apresenta positividade para receptores hormonais de estrogênio, independente da idade, do estadiamento da doença e de a mulher ser pré ou pós-menopáusica. Como a quimioterapia, a terapia hormonal tem ação sistêmica, o que significa que age em todo o organismo. Antes do início da hormonioterapia, é necessário que toda paciente faça um teste de receptores de estrogênio e progesterona para comprovar a sensibilidade do tumor ao medicamento e para avaliar a utilidade da terapia. Em mais da metade das pacientes que se submetem ao exame, a indicação de uso de hormonioterapia é positiva.(3)

 

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A importância do exercício físico durante o tratamento


Praticar atividades físicas é uma excelente ferramenta para restaurar e melhorar o bem-estar físico durante o tratamento do câncer de mama. Tenha em mente, porém, que é muito provável que seu organismo esteja sensível e indefeso, por isso respeite seus novos limites.

 

Antes de iniciar qualquer atividade física, converse com o médico oncologista e realize os exercícios sob supervisão de um profissional qualificado, como o fisioterapeuta. As atividades podem ser feitas num parque ao ar livre, numa academia de ginástica, na clinica de fisioterapia, na sua casa e até mesmo deitada na cama, no seu quarto. Independentemente do tipo de exercício, o importante é que seja adequado e adaptado à sua condição física.

 

Ative sua circulação

 

Sempre que possível, faça pequenos intervalos em suas atividades diárias e escolha uma posição confortável para repetir os movimentos de abrir e fechar as mãos. Depois mexa seus tornozelos, puxando para frente e para trás, e realize movimentos rodando os pés.

 

Caminhe moderadamente

 

Sempre que estiver disposta, faça pequenas caminhadas. Isso lhe trará conforto e disposição ao longo do tratamento. Mas atenção se estiver cansada! Economize sua energia.

 

Como ficar longe da fadiga?

 

A fadiga é um sintoma que afeta mais de 80% dos pacientes em tratamento oncológico. Pode estar associada a diversos fatores: depressão, dor crônica, anemia, dificuldade para dormir, redução da massa muscular, infecções, perda de apetite e distúrbios metabólicos, além de efeitos colaterais de alguns agentes quimioterápicos.

 

Quando não avaliada e tratada, a fadiga pode causar uma importante diminuição da qualidade de vida do paciente. Dessa forma, é fundamental que seu médico oncologista converse com você e seus familiares sobre esse sintoma, discutindo as opções para seu tratamento. Nessa situação, diversas medidas relativamente simples podem ajudar:

 
  • Praticar exercício físico leve.
  • Usar métodos de relaxamento, como massagens e atividades que você considere prazerosas.
  • Avaliar e, eventualmente, corrigir a anemia.
  • Diagnosticar e tratar a depressão.

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Cuidados com seu corpo antes e depois do tratamento

 

Durante o tratamento oncológico, o organismo de cada paciente reage de forma diferente aos medicamentos fortes. É muito importante que você saiba que algumas mudanças físicas podem acontecer, mas lembre-se: os efeitos colaterais, em sua maioria, são temporários e tendem a desaparecer aos poucos.

 

Nessa fase, é fundamental que você dedique mais tempo ao seu corpo, ao seu cabelo, à sua pele, enfim, a você! Estas sugestões podem ajudar:

 
  • Use sempre filtro solar.
  • Para diminuir o risco de infecções, não compartilhe seus produtos de limpeza de pele e maquiagem com outras pessoas.
  • Dê preferência a instrumentos descartáveis, como algodão, gaze ou esponjas. Já os que não puderam ser descartados devem sempre ser lavados com água e sabão após o uso.
  • Se seu médico disser que provavelmente seu cabelo vai cair, é aconselhável que você os corte bem curtos antes que isso aconteça. Peça auxílio de um familiar ou amigo ou vá até o seu cabeleireiro.
  • Quando lavar os cabelos, dê preferência a xampus neutros para evitar o ressecamento dos fios e do couro cabeludo. Sempre enxugue os cabelos com uma toalha macia e sem esfregar.
  • Se você sentir-se à vontade com acessórios, providencie lenços, turbantes, bonés, chapéus e perucas, por exemplo.
  • Não use grampos, fivelas ou elásticos e evite produtos químicos, como tinturas, permanentes ou sprays.
  • Caso esteja sem sobrancelhas, você – ou um profissional da área de estética – pode desenhá-la. Use um lápis macio para não machucar a pele.
  • O batom também pode ser aplicado, de preferência os que contêm hidratante. Peça sempre indicação ao seu médico.
  • Peça para seu médico dermatologista indicar um hidratante facial. E esforce-se para manter também a pele do seu corpo bem hidratada.
  • Se você sentir que perdeu ou ganhou peso, converse com seu médico.
  • Caso sinta-se inchada, fale com seu médico. Peça sempre orientação para ele.

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Publicado em 15/12/2009.

Este site é um serviço de MSD aos pacientes. Não tome nenhum medicamento sem o conhecimento do seu médico, pode ser perigoso para sua saúde.