AIDS/HIV - International Grants
Entidades Beneficiadas
Grupo de trabalho e pesquisa em orientação sexual - GTPOS
Beneficiada no primeiro semestre de 2001 pelo International Grants com a doação de US$ 42 mil, o GTPOS é uma ONG que, desde 1989, atua na cidade de São Paulo (SP), onde desenvolve projetos sobre educação sexual e prevenção de DSTs/AIDS. Um de seus principais focos é o público adolescente, para quem foi criado o projeto "Trance Essa Rede", em 1996, que tem por objetivo prevenir a disseminação de HIV/AIDS especialmente entre os jovens de comunidades carentes. A doação feita pela Merck Sharp & Dohme (MSD) a entidade a dar continuidade a esse trabalho.
A estratégia desenvolvida pela ONG para atingir e conscientizar esse público foi preparar jovens da mesma faixa etária para se transformarem em multiplicadores ou colegas-educadores, assistidos pela equipe da ONG. Por meio de ferramentas como workshops, os jovens treinadores discutem com os adolescentes temas como o corpo humano, doenças sexualmente transmissíveis, infecção pelo HIV e métodos anticoncepcionais, além dos sentimentos, da comunicação e da negociação de valores sócio-culturais e virgindade com o(a) parceiro(a).
A trajetória do "Trance essa rede"
90 adolescentes para atuarem como colegas-educadores. Após um ano, eles estavam prontos para coordenar workshops sobre sexo seguro junto a outros jovens. Entre 1997 e 1999, foram realizados 90 workshops para 3.500 estudantes em São Paulo. Também foram desenvolvidas atividades de prevenção por meio de peças de teatro, celebração do Dia Internacional de Prevenção da AIDS, seminários, palestras e entrevistas na imprensa. Com base nas lições aprendidas durante os workshops, o GTPOS desenvolveu também uma ferramenta educacional denominada "Adolescência e Vulnerabilidade" para ajudar os professores a discutir nas escolas questões relacionadas ao HIV/AIDS com seus alunos. Em 1999, a ONG expandiu o projeto com seis novos grupos de educadores, que levaram o "Trance Essa Rede" a seis bairros de São Paulo. Desde o início do trabalho, o GTPOS conduziu 260 workshops para mais de 5.500 jovens, publicou dois livros, organizou dois seminários "Trance Essa Rede" e o I Encontro Paulista de Adolescentes (EPA, 1999), além de ter participado de encontros nacionais e internacionais.
RNP+ Núcleo Campinas
Em 1999, a Rede Nacional das Pessoas Vivendo com HIV/AIDS - RNP+ Núcleo Campinas (SP) foi uma das duas entidades beneficiadas com recursos do International Grants no Brasil, juntamente com a Sociedade Viva Cazuza. A ONG recebeu uma doação de US$ 37 mil para a implantação do projeto "Conselheiros Positivos", que teve como objetivo promover a adesão e manutenção do tratamento antirretroviral em 300 portadores do interior de São Paulo.
A RNP+ Núcleo Campinas foi fundada em 3 de outubro de 1998 e é a segunda ONG no Brasil criada e dirigida por pessoas que convivem com o HIV/AIDS. O trabalho da entidade propicia às pessoas que convivem com o vírus da AIDS uma oportunidade para se reunir, assumir sua condição sorológica e promover a troca de informações e experiências, lutando assim contra o isolamento e a inércia. Com o incentivo à formação de grupos de apoio mútuo em todo o país, o RNP+ promove a troca de experiências pessoais, informações, habilidades e recursos, essenciais para estabelecer, manter e melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com o HIV/AIDS, preparando-as para reprimir o medo, a ignorância, a discriminação e o preconceito que ainda enfrentam na sociedade.
O projeto "Conselheiros positivos"
Para fazer com que 300 portadores de HIV/AIDS dos municípios de Campinas e Jundiaí aderissem e mantivessem o tratamento antirretroviral, foram criadas três equipes de "Conselheiros Positivos", pessoas também portadoras, capacitadas e treinadas para conscientizar seus pares sobre a importância da terapia combinada no combate ao vírus e na manutenção da qualidade de vida do paciente. As equipes de Conselheiros Positivos realizaram visitas às residências dos pacientes e aos hospitais, apoiando os serviços de atendimento especializado. O projeto também promoveu reuniões para discussão de assuntos relativos às expectativas dos participantes e workshops de conscientização.
Durante os 12 meses do projeto, foram realizadas 2.300 visitas domiciliares e 280 visitas a hospitais, Centros de Orientação e Apoio Sorológico e Casas de Apoio, além de 48 reuniões com os conselheiros e 24 workshops e palestras, entre outras atividades.
O saldo alcançado em um ano foi uma redução significativa da ocorrência de infecções oportunistas e da resistência ao tratamento combinado por parte dos pacientes, graças, entre outros fatores, a um maior conhecimento sobre o tratamento antirretroviral. A informação e o intercâmbio de experiências também promoveram uma melhora nas condições psicológicas, como o aumento da autoestima, da interação familiar e da aceitação da situação sorológica.
Centro Corsini
Fundado em 1987 na cidade de Campinas (SP), o Centro Corsini é uma instituição filantrópica que, entre outras atividades, presta assistência médica, odontológica e piscossocial, aos portadores de HIV, desenvolve atividades de prevenção das DST/AIDS junto a populações mais vulneráveis, capacita profissionais a lidar com questões relacionadas à síndrome e gera conhecimentos em diferentes áreas relacionadas ao HIV/AIDS. A criação do centro e o seu nome foram uma homenagem a Antonio Carlos Corsini, médico e pesquisador da área de Imunologia da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas, falecido em 1984 em decorrência de leucemia.
A ONG elegeu a missão de "criar e divulgar conhecimentos, produtos e serviços em HIV/AIDS de forma ética, considerando o ser humano de forma holística e buscando, simultaneamente, o equilíbrio financeiro da instituição". Desde o início, o Centro Corsini vem cumprindo de forma exemplar a primeira parte dessa missão, com serviços como o SAP - Serviço de Atendimento ao Paciente, que todos os anos realiza milhares de atendimentos multidisciplinares, como realização de testes anti-HIV, assistência ambulatorial completa, serviços odontológicos, acompanhamento familiar e assistência social domiciliar. Outro canal de atendimento é o TeleAIDS, que presta informações e esclarecimentos a pessoas de todo o país.
Na área de educação e projetos especiais, a entidade mantém iniciativas como o Projeto Colméia, desenvolvido com mulheres de baixa renda e escolaridade da periferia de Campinas, com o objetivo de promover a incorporação de práticas cotidianas de saúde e prevenção. Já a Unidade de Apoio Infantil abriga crianças órfãs ou impossibilitadas de viver em seu núcleo familiar, oferecendo acompanhamento clínico, psicossocial e odontológico.
O Centro Corsini encaminhou um projeto à Merck Sharp & Dohme (MSD) para cumprir mais efetivamente a segunda parte de sua missão: buscar o equilíbrio financeiro da instituição por meio de ações que permitissem sua autossuficiência.
Em 1998, a ONG foi beneficiada com uma doação de US$ 47 mil para reestruturar suas atividades de treinamento. Em 2004, foi contemplada novamente no International Grants. O projeto “Internautas Multiplicadores: inclusão digital como estratégia de prevenção de DST/AIDS e uso de drogas entre adolescentes" recebeu US$ 28 mil de recursos para ser implementado (75% doados pelo Office of Contribution da Merck & Co. e 25% pela MSD).
Casa Vida
Em 1997, a Casa Vida, de São Paulo (SP), recebeu uma doação de US$ 50 mil do International Grants. Foi a segunda entidade voltada ao atendimento de crianças portadoras do HIV/AIDS a ser beneficiada pelo programa, depois da Sociedade Viva Cazuza, do Rio de Janeiro (RJ). Ligada ao Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, que atende a milhares de crianças e adolescentes carentes na Zona Leste da capital paulista, a entidade foi criada há 10 anos pelo padre Júlio Lancelotti e acolhe menores portadores do vírus HIV, em sua maioria órfãos ou abandonados pelas famílias, e que são encaminhados à instituição pelo Poder Judiciário ou pela Fundação CASA - Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (a antiga Febem).
As duas casas mantidas pela ONG - uma para crianças de zero a seis anos (Casa Vida 1) e outra para crianças e adolescentes de sete a 16 anos (Casa Vida 2) - não são um mero centro de atendimento, mas sim um lar. Lá, crianças e adolescentes dividem o espaço e recebem atendimento médico, odontológico, psicológico e fisioterápico. Possuem seus quartos, área de lazer, brinquedos e jogos e frequentam a escola do bairro. Os medicamentos de combate à AIDS são fornecidos pelo Hospital Emílio Ribas. As demais necessidades da ONG são supridas, em sua maioria, por contribuições da comunidade.
Sociedade viva Cazuza
Criada por Maria Lúcia Araújo em 1990, ano da morte de seu filho Cazuza, a Sociedade Viva Cazuza (SVC) desenvolve desde então projetos de apoio e assistência a pessoas carentes portadoras do HIV. Por sua atuação, a ONG, baseada no Rio de Janeiro (RJ), foi beneficiada em duas ocasiões com subsídios do International Grants. A primeira, em 1996, com a doação de US$ 50 mil para auxílio aos projetos já em andamento na entidade, e a segunda, em 1999, com US$ 30 mil destinados ao desenvolvimento de um site informativo em português sobre HIV/AIDS. Entre as principais atividades da Sociedade Viva Cazuza destacam-se: a Casa de Apoio Pediátrico para crianças portadoras, que funciona em regime de internato com atendimento pleno (médico, social, educativo, cultural e de lazer); o Projeto de Apoio Domiciliar para pacientes adultos, que abrange programa de adesão ao tratamento, doação de cestas básicas e apoio piscossocial, possibilitando a permanência do paciente em casa; o Projeto de Visibilidade da AIDS na imprensa, que incentiva a abordagem do tema não apenas sob o aspecto jornalístico, mas também em programas de entretenimento na televisão. A ONG também promove palestras de prevenção em escolas e empresas.
Projeto do Fórum Científico HIV/AIDS
Em 1999, a Sociedade Viva Cazuza, que já possuía sua homepage na internet, buscava apoio para a elaboração de um site informativo voltado especificamente para profissionais da área de saúde. Existiam serviços semelhantes em vários idiomas, mas nenhum em português, a oitava língua mais falada do mundo. Alguns objetivos do projeto eram a criação e consolidação de um canal para responder perguntas de profissionais de saúde sobre casos clínicos, incluindo o uso de drogas antirretrovirais, a compilação do conteúdo de conferências e atualizações sobre temas relevantes, a manutenção de uma agenda sobre os mais importantes eventos relacionados a HIV/AIDS, a criação de um banco de dados que permitisse analisar as informações coletadas sobre os usuários para servir de base para o aprimoramento do projeto, além do acesso aos principais guias de condutas diagnósticas e terapêuticas em uso no Brasil. Uma parceria importante veio da Johns Hopkins University, que, além de um intercâmbio técnico na área médica, permitiu, por meio do Serviço de Doenças Infecciosas, a tradução, adaptação e hospedagem do programa "Pergunte ao Especialista" e também a versão traduzida do informativo "The Hopkins HIV Report". O site foi batizado de Fórum Científico HIV & Aids".
Inmed
Desenvolvido pela ONG INMED, o projeto YouthLink Brasil visa reduzir a transmissão de HIV entre crianças e adolescentes carentes da cidade de Francisco Morato (SP) e ampliar o conhecimento sobre doenças sexualmente transmissíveis – incluindo verrugas genitais e câncer de colo de útero, causados pelo HPV -, desenvolvendo uma iniciativa replicável em outras regiões do país, com foco inicial também para comunidades do Rio de Janeiro e Amazonas.
Com um ano de duração, a iniciativa pretende atingir 6.000 crianças e impactar mais de 2.000 famílias, além de cerca de 100 professores de escolas públicas e demais membros das comunidades envolvidas.
Publicado em 15/12/2009
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