Programa Mundial de Doação de Mectizan

O programa

Durante as décadas de 1970 e 1980, pesquisadores da Merck Sharp & Dohme nos Estados Unidos descobriram e desenvolveram MECTIZAN, um medicamento para o tratamento da oncocercose ou “cegueira do rio”, a segunda maior causa de cegueira infecciosa em todo o mundo.


Em outubro de 1987, a Merck anunciou que doaria MECTIZAN® – o único medicamento bem-tolerado conhecido para impedir o desenvolvimento de oncocercose – a todos que precisem do medicamento, pelo tempo que for necessário, para tratar a cegueira do rio até que a doença seja eliminada como problema de saúde pública.


O programa é uma parceria única, envolvendo a Merck Sharp & Dohme, a OMS/Organização Panamericana de Saúde, o Banco Mundial, o Comitê de Especialistas de MECTIZAN, ministérios da saúde nacionais, representantes de comunidades internacionais de doadores, mais de 30 organizações não-governamentais, trabalhadores da saúde locais e membros da comunidade.


No Brasil, o trabalho existe efetivamente desde 1995 e é feito em conjunto com a Funasa e com organizações não-governamentais, que levam o tratamento com Mectizan a mais de 12 mil índios yanomâmis. São tribos que vivem em região de difícil acesso, no meio da Floresta Amazônica. Para viabilizar o programa no país, teve que ser criada uma infra-estrutura especial, com a participação dos setores público, privado e da comunidade, garantindo que o medicamento pudesse chegar a todos os índios da região.



Em 1984, Dr. Mohammed Aziz, então diretor senior de Pesquisa Clínica MSD, examina garoto africano cego pela oncocercose

Até 2007, quando completou 20 anos, o Programa de Doação de MECTIZAN aprovou mais de 530 milhões de tratamentos de oncocercose em 33 países da África, América Latina e Iêmen, tendo doado mais de 1,8 bilhão de comprimidos de MECTIZAN, ao custo de US$ 2,7 bilhões. O programa atualmente atinge mais de 69 milhões de pessoas a cada ano para o tratamento de oncocercose; cerca de 40 milhões de tratamentos de MECTIZAN também são aprovados a cada ano no que se refere à filariose linfática por meio do trabalho da Merck com a Aliança Global para Eliminação de Filariose Linfática.


Na América Latina, existem programas de tratamento no Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, México e Venezuela. Em 2007, tivemos uma grande notícia: o Ministério da Saúde da Colômbia anunciou que os níveis de infecção de oncocercose foram mantidos em um nível suficientemente baixo para interromper efetivamente o ciclo de transmissão no país. A comprovação veio por meio de estudos epidemiológicos realizados pelo programa colombiano contra cegueira do rio e o OEPA – Onchocerciasis Elimination Program of the Americas (Programa para Eliminação de Oncocercose nas Américas) -, do Centro Carter.


Esta é a primeira vez na história em que pudemos confirmar que a transmissão da doença foi interrompida em âmbito de um país por meio do tratamento de massa com MECTIZAN.